Tenho muitos planos para o futuro. Não falo mais que duas línguas, nunca morei sozinho, muito menos no exterior. Tenho vontade, claro! Já estou com vinte anos e às vezes me acho uma criança, que não sabe o que quer da vida. A única coisa que sei é que preciso ser “bem-resolvido” e “cool” para atender a demanda da sociedade. Ou seja, não posso demonstrar frustração se algumas pessoas não me dão a devida atenção que penso merecer.
Quando somos crianças é muito fácil, costumávamos colorir o nosso mundo com cores vibrantes, cores de Almodóvar. Mas depois vamos crescendo e tudo vai perdendo o contraste, os tons de cinza começam a aparecer, de repente, nos vemos num filme preto e branco. E o que mais é triste saber, é que o filme sempre é o mesmo, parece “Sessão da Tarde”, não importa a hora nem a data, a história sempre é a mesma. O que muda sempre é o que tem menos importância. Por mais que o mundo continue girando as pessoas continuam agindo da mesma forma. Lembro muitas vezes daquele ciclo que aprendemos no colegial: nascemos, crescemos, conhecemos uma pessoa legal, reproduzimos e morremos, para que não haja superlotação no planeta, claro!
A tecnologia nos atingiu de uma forma tão avassaladora que hoje estamos vivendo as pressas, nos comunicamos através de siglas: MSN, SMS, RT, DM, PQP. É celular querendo ser computador, computador querendo ser gente e muita gente sem saber o que vai ser. Humanizamos as máquinas e esquecemos que aos poucos vamos nos artificializando. É tanto consultório estético, é tanta lipoaspiração, é tanto botox, é tanto silicone. Às vezes me questiono: será que daqui alguns anos vou lembrar de ter apertado algum peito de verdade?
Uma Tsunami de modismos se aproxima. Temos que nos transformar em algo para alcançar os, tão almejados, 15 minutos de fama. Temos que: malhar diariamente, comprar compulsivamente, vestir estilosamente, ser independente financeiramente, liberado sexualmente e beber moderadamente. Sim, já ia esquecendo: um pouco de espiritualidade não faz mal a ninguém.
Queremos sempre pensar que não fazemos parte desse sistema. Tentamos entender o próximo, mas não nos damos ao trabalho de nos entender, por isso aquele velho labirinto de dominós geralmente desmorona. Mas, o melhor é saber que sempre quando alguém olhar pra você e sorrir, vamos acreditar num futuro melhor, mesmo ele sendo igual ao que aconteceu a milhões de anos atrás. Por falar nessa enxurrada de informações, esse texto já contém mais de 140 caracteres, o que é, que eu faço?
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