No meu tempo…

Como cantou Chico Buarque, com as lições que aprendeu om o seu velho pai, Sérgio, não existia pecado do lado de baixo do Equador. Ao menos não existia no Brasil, terra de belezas, riquezas, prazeres e eterna fonte de juventude.

A chegada dos povos estranhos, da cultura da cana, do estado escravista e da igreja, transmitiram ao país os olhos repressivos dos padres e as vistas punitivas dos soldados. O Jardim do Éden de antes, ficou longe, longe do espaço e do tempo.

Asociedade está ficando cada vez mais repressora, estamos acostumados a sentir o prazer real com um pé-atrás, cultivamos o imaginário. O melhor lugar para se estar nunca é o aqui, o agora. Nos comportamos como os velhos, que não cansam de repetir como as coisas eram melhores no seu tempo.

Acabamos contaminados pelo vírus da nostalgia e muitas vezes somos pegos pensando que as amizades eram mais verdadeiras, que o sexo era mais intenso ou até mesmo que o LP era melhor que o MP3. Será que tudo isso era realmente melhor?

Começo a pensar que todo ser humano é bipolar, um dia achamos as coisas melhores, no outro piores. Na verdade não sabemos de nada. O fato é que as coisas mudam.

O que não muda é aquela vontade que o ser humano tem de controlar o outro. Vivem nos dizendo o quê podemos e o devemos deixar de fazer. E a gente sempre naquela vontade de reencontrar o Éden, que para alguns pode estar numa viajem a Europa, na Ioga, no Kamasutra. Para outros num abraço, numa conexão banda larga, no trabalho… Enfim, acho que você já entendeu o que quis dizer.

~ por Wendel Wagner em 30/06/2011.

Uma resposta to “No meu tempo…”

  1. Quantas vezes essa semana já paramos pra escutar um “novidade quentíssima onde fulano fez isso e aquilo com sicrano”? A verdade é que parece ser próprio do homem esse interesse pela vida alheia.
    O problema é que muitas vezes deixamos de fazer aquilo que realmente gostamos e que nos fazem bem só pq alguém vai olhar feio.
    A grande questão está ai: será que estamos mais ‘presos’ por culpa da sociedade ou pq não conseguimos nos livras dos preceitos morais que nos habituamos?

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